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!DOCTYPE html PUBLIC "-//W3C//DTD XHTML 1.0 Strict//EN" "http://www.w3.org/TR/xhtml1/DTD/xhtml1-strict.dtd"> Nova Mensagem: Fevereiro 2008

Nova Mensagem

Fábio V. Barreto

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sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Book Review: "O Imbecil Coletivo I", de Olavo de Carvalho



Há tempos planejo escrever resenhas críticas sobre minhas leituras. Para iniciar, creio que poucas escolhas seriam tão boas quanto O Imbecil Coletivo I - Atualidades Inculturais Brasileiras, do filósofo Olavo de Carvalho.

O Imbecil Coletivo I , publicado originalmente em 1996 e sem a designação ordinal, é uma coletânea volumosa de artigos, cartas e outros textos escritos por Olavo de Carvalho tendo como foco a análise cultural brasileira corrente, mais especificamente a cultura letrada, acadêmica e midiática. Destoando de parte significativa da intelectualidade e dos representantes do show bussiness, Carvalho declara em alto e bom som que o panorama cultural nacional é largamente medíocre, diagnostica as razões de tal mediocridade e, mostrando não temer o pensamento dominante que muitas vezes posa de marginal, dá nome aos bois, criticando intelectuais e instituições responsáveis.

A expressão "imbecil coletivo" é inspirada no "intelectual coletivo" de Gramsci, termo com o qual o ideólogo marxista italiano designa o Partido-Príncipe revolucionário, uniformizador de idéias que, embora falsas e perniciosas, sõ úteis à causa dos idealizadores. No prólogo da obra, Olavo de Carvalho assim define o imbecil coletivo:

O imbecil coletivo não é, de fato, a mera soma de um certo número de imbecis individuais. É, ao contrário, uma coletividade de pessoas de inteligência normal ou mesmo superior que se reúnem movidas pelo desejo comum de imbecilizar-se umas às outras.


Assim definido o imbecil coletivo, Olavo de Carvalho segue seu libelo contra a mediocridade cultural tupiniquim. À princípio suas críticas dirigem-se especialmente ao establishment intelectual norte-americano, o que pode causar estranheza ao leitor. Mas o próprio autor diz que as idéias componentes do imaginário do imbecil coletivo são, todas, de inspiração estrangeira. O material é sempre estrangeiro, normalmente alemão, francês ou, de maneira crescente, norte-americano, mas a seletividade deformante é operada em terras brasileiras. Dessa forma, critica o pragmatismo de Charles Peirce e o neopragmatismo de um dos seus discípulos contemporâneos, Richard Rorty, uma das estrelas intelectuais das universidades brasileiras.

Movido pela busca da verdade, Olavo de Carvalho não vacila em desmascarar os embustes de estrelas intelectuais e midiáticas como Emir Sader, Marilena Chauí, Leonardo Boff, Muniz Sodré, Leandro Konder, Fábio Konder Comparato, entre outros. Com a mesma independência e o mesmo vigor, ataca nossas instituições universitárias, especialmente a PUC e a USP, responsabilizando-as, em grande medida, pelo atual quadro lastimável da cultura brasileira, sem esquecer o papel da mídia.

O estilo humorístico, irônico e, por vezes ácido do livro não compromete a seriedade do tema, antes o torna de mais fácil compreensão. Compõe-se de textos que são esboços humorísticos (“Ideias Vegetais”), crítica literária (“A Imitação da Literatura”, “Os VIPs e as Diferenças”, “Galo de Bigodes”), estudos sobre a imprensa (“Mídia e Realidade”, “Impensa e Cultura”), estudos culturais (“Nacionalismo e Demência”, “Os Intelectuais Nunca Têm Culpa”, “Contra os Intelocratas”), entre outros.

É deveras difícil dizer aqui quais os melhores textos desse excelente livro. Melhor seria que o leitor o comprovasse pessoalmente, lendo-o o quanto antes. Espero que experimente a mesma sensação que muitos tiveram: um novo fôlego intelectual, um poderoso remédio contra a mediocridade abundante.
 
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